Poemas
Esperança
Das lembranças, a mais escondida
Sombra silenciosa e discreta
Ternura que se inunda e logo desvanece
Feito cheiro de flores à janela.
Sonho frágil, pouco acalentado
Entre águas claras se confunde
Barco leve, solto, segue à deriva
Desconhece seu porto de chegada.
Mas eis que no meio desse quase nada
Instante fulgaz
- retrocesso -
Surge qual ponto de retoma possibilidade
Da última esperança, ainda um resto!
Maria Lúcia de Almeida Nazareth
Velhas saudades
Larguei dos pesadelos e sonhei que um dia
Descia um calmo rio cheio de remansos
Era a minha paz a procurar descansos
Ou mesmo escassas chuvas de alegria.
E assim descia leve sobre a canoa
E foi-se a tarde quente, vindo a noite
E mesmo só, restava-me a poesia
Que vinha nos papeis, escorrendo à toa.
E assim segui em frente pelas águas turvas
Segui descendo o rio sem temer as luas
Que revelam os mistérios das àguas para o mar.
E fui feliz na vida navegando
Pelos rios dessa vida fui deixando
Velhas saudades de uma poetisa a navegar.
Maria Lúcia de Almeida Nazareth